31/12/2016

Que o ano 2017 seja mais leve!



Chegamos ao último dia de 2016 e, mais uma vez, renovamos os desejos para uma nova fase.
Há quem diga que este momento é irrelevante, porque a vida será a mesma na segunda-feira. Talvez. Mas um pouco de esperança nunca fez mal a ninguém — é alimento para a saúde mental.

Li recentemente sobre uma tradição em algumas cidades da Itália: quando os sinos soam à meia-noite, o povo atira pelas janelas panelas velhas e vasos rachados, para simbolicamente se livrar do que não serve mais.
Um contato em Veneza confirmou a história e acrescentou: é preciso cuidado ao andar pelas ruas, porque não jogam apenas panelas e vasos, mas qualquer coisa quebrada e inútil.

Fica aqui a inspiração: não precisamos jogar objetos pela janela, mas podemos nos libertar daquilo que nos aprisiona e torna a vida menos satisfatória. Todos temos nossas panelas velhas e vasos rachados na mente. Este dia pode ser a oportunidade de descartar esse lixo, ou ao menos planejar o descarte.

Para finalizar, adapto uma frase que os romanos inscreviam nos túmulos: Sit tibi terra levis.
Que o ano de 2017 seja mais leve!


19/12/2016

A morte da consciência




Não há razão para acreditar que nossa consciência — alma, espírito, ou qualquer nome que se lhe dê — continue após a morte.
Tudo indica que ela depende do funcionamento do cérebro.
E, quando o cérebro se apaga, a vida mental também se encerra.
Simples assim.

O resto é sonho.
É inconformismo diante da própria extinção.



30/11/2016

Cheguei aos 30 anos de trabalho na mesma empresa!



Caro leitor, hoje compartilho uma história particular, ligada a uma fotografia em preto-e-branco que guarda um significado especial em minha vida.

Quando menino, eu passava pela calçada da fábrica retratada na imagem. Parava no portão e ficava olhando para dentro, exatamente na área onde aparece o caminhão. O cavalo, claro, não é da minha época.

Com as mãos apoiadas no portão, admirava as pessoas de uniforme branco, botas e quepe na cabeça, como soldados. Pensava: “Quando crescer, vou trabalhar nessa fábrica.”

Ali, onde o caminhão está encostado, ficava a Recepção de Leite, com seu teto em abóboda — invenção mesopotâmica difundida pelos romanos. Em frente ao cavalo, a janela do Laboratório. Logo atrás, as duas chaminés das Caldeiras: uma de tijolo, outra de metal. E, no alto do morro, o tratamento de água da cidade.

Aos 19 anos, realizei o sonho: comecei a trabalhar ali em 1º de dezembro de 1986. Foram anos de felicidade e aprendizado.

Mas em 2009 veio a missão mais difícil: ser o último colaborador da fábrica, que teria suas atividades transferidas para outro estado.

Não foi fácil apagar a luz do Escritório Técnico e perceber que não havia mais ninguém para me despedir. Os colegas partiram aos poucos, até que fiquei só, ocupando uma sala silenciosa. Andava pelos corredores e o silêncio gritava nos meus ouvidos.

O último dia foi o mais duro da minha vida profissional. Às 17h30, desci os dois lances de escada, caminhei pelo corredor e parei na portaria — no mesmo portão onde, menino, sonhara trabalhar. Dei a última olhada.

Senti um nó na garganta e parti, deixando para trás a segunda fábrica da Nestlé no Brasil: minha primeira escola profissional, minha segunda casa, meus sonhos, amigos e 24 anos de história.

O tempo passou. As lágrimas secaram. O sol voltou a brilhar.



Hoje, aos 50 anos, registro com orgulho que nesta data, 1º de dezembro de 2016, completei 30 anos de trabalho na mesma fábrica — um feito raro nos dias atuais, em Araras-SP.

Entrei solteiro, casei, tive filhos, e tudo isso aconteceu enquanto construía minha vida profissional nesse lugar que se tornou minha segunda família.

Alguns podem achar estranho permanecer tanto tempo na mesma empresa, em tempos de ansiedade e insatisfação constantes. Mas digo com convicção: não foi um fardo. Foi uma jornada recompensadora. Aprendi que a chave para uma vida profissional ética e satisfatória está em cultivar boa vontade, humildade, honestidade, respeito e o desejo de aprender todos os dias. Agindo assim, as dificuldades se tornam aprendizado, e o tempo nos devolve orgulho e fortalecimento.

O prazer de trabalhar não está atrás dos muros ou portões de qualquer empresa. Ele nasce dentro de nós, na energia que nos move e na satisfação de realizar um trabalho bem feito. Quem não percebe isso, infelizmente, não encontrará em lugar nenhum, por mais que procure.

Agradeço aos poucos "amigos" de Araras que me receberam e pela oportunidade de compartilhar tantos anos de convivência e aprendizado.


02/11/2016

Dia de finados antigamente



Hoje é feriado de 2 de novembro e acordei lembrando do significado desta data.

O tempo passa, os costumes mudam — ainda bem.

Quando criança, neste feriado, as famílias se reuniam no cemitério em torno dos túmulos. Era uma espécie de tributo para quem não sabia que estava sendo homenageado. Eu ficava ali, imóvel como um vaso, sob o sol, aguardando o fim das conversas intermináveis entre os adultos, para repetir o ritual no ano seguinte.

Parecia uma sala de estar improvisada ao lado do túmulo, onde parte da família se encontrava uma vez por ano, sem precisar ir à casa do outro.

Havia também a preparação do cemitério: árvores cortadas, grades pintadas, chão varrido. As famílias pagavam os coveiros para limpar ou pintar os túmulos, muitas vezes com tinta barata ou cal. Do lado de fora, flores, frutas e velas eram vendidas em ritmo frenético. Do lado de dentro, o povo se movia entre os túmulos sob o calor de novembro. No cruzeiro, velas acesas criavam um espetáculo deprimente, misturando cheiro de cera queimada, suor e calor.

Hoje não faria isso em hipótese alguma. Mas naquela época, era normal, e ninguém parecia aborrecido.

Agora, este feriado significa descanso. A gratidão, a saudade e os sentimentos que guardo pelas pessoas queridas permanecem silenciosos dentro de mim, sem necessidade de estar ao lado de um túmulo. Um dia, inevitavelmente, descansarei ali também.

23/10/2016

Por que escrever?


Estou há um bom tempo sem escrever. Acho que estou vivendo uma espécie de ressaca, mas sei que essa fase também passará, como tudo na vida. Ainda sinto prazer em rascunhar por aqui alguns pensamentos. Antigamente eu compartilhava o meu Blog na rede social mas percebi que os meus textos não despertavam interesse e por isso, deixei de divulgar, mas nunca perdi o interesse em escrever minhas bobagens.

Dizem que escrevemos por vários motivos:

- Para buscar um sentido na vida
- Para nos sentirmos vivos
- Para deixarmos algo para a posteridade
- Para tentarmos mudar o mundo

É claro que os motivos não se encerram nestes quatro exemplos citados e também não estou com vontade de prolongar. Escrevo porque sinto prazer e também para deixar algo quando eu não mais existir, mesmo sabendo que o que deixo aqui poderá não ter valor para ninguém. Por ora, contento-me em escrever apenas para mim, o que já é um bom motivo.


Bem, por hoje é só!


27/09/2016

O travesseiro no divã


O travesseiro é o divã da existência.
Existem noites em que a angústia precede o sono.
Nessas horas o pensamento perde a razão e você pensa:
Quem não nasce, não sofre e nada mais abala.
Morrer é necessário pois a vida também cansa!
E tem gente querendo a vida eterna.
Que tolice!
Uma vida é mais do que suficiente.
Quero ter o direito de ser o que eu não era antes de nascer ou seja, nada!
A maior parte do tempo eu não era nada.
Nunca reclamamos por não ter existido!
A inexistência nos livra absolutamente de tudo.


Alex Gil Rodrigues



27/08/2016

Aproveitar a vida




Tempos atrás, publiquei uma recomendação sobre um antigo filme chamado "Sociedade dos Poetas Mortos" e citei que escreveria algo mais sobre a frase "aproveitar a vida".

Quando somos mais jovens temos uma vontade louca para "aproveitar a vida". No filme Sociedade dos Poetas Mortos a palavra de ordem era "Carpe Diem", aproveite o dia.

Assisti este filme com 23 anos e tinha uma vida inteira pela frente. Tudo era possível naquela época. Assim pensam todos os jovens... Hoje, certamente assistiria o filme de uma forma diferente, com mais serenidade e menos expectativas. 

Os anos se passaram e ainda não "aproveitei" a vida conforme o filme sugere. É claro que tive excelentes momentos e nem teria o direito de reclamar, pois tenho uma vida satisfatória e consegui ter uma vida digna. Minhas reclamações são injustas sobre a vida, reconheço. Somos assim! 

Acho também que esse "aproveitar" é muito relativo. No final das contas, trabalhamos muito mais do que "aproveitamos" e ficamos espremidos entre o trabalho, o descanso para trabalhar mais, a manutenção da vida, da casa, do carro, da resolução dos problemas de toda ordem, da luta diária e sobra muito pouco para esse tal de "aproveite a vida". 

Gostaria imensamente de saber a receita de, além de aproveitar a vida, como "tornar a vida extraordinária", como o filme sugere!!! 

Enquanto não descubro, sou ciente que somos poeiras inconformadas com a mortalidade que luta contra o tempo e o enfado até o último suspiro. 

Pensando bem, acho que a vida é assim mesmo. Poderia ser pior. Não posso reclamar. 

Minha vida até que é boa! O chato é apenas a rotina e o modo automático. 

Acho que o segredo é não criar expectativas demais... Pensar assim depois de velho é mais fácil né! 

Até a próxima! Por hoje é isso. 


24/08/2016

Festa do Peão! Eu tive coragem de ir!



Semana retrasada fui, pela primeira vez, a uma Festa de Peão em Araras.

Os jovens devem achar que vivo em outro planeta por nunca ter ido, mas a verdade é simples: esse gênero musical não me agrada.

O evento acontece anualmente no Parque Ecológico. Moro na cidade há mais de sete anos e nunca tive curiosidade de conhecer. Mas, como meus parentes estavam em casa e queriam assistir ao show de uma dupla chamada Munhoz e Mariano, lá fomos nós. Pagamos R$40,00 por ingresso e ficamos na arquibancada.

Chegamos às 23h. Do lado de fora, carros disputavam estacionamentos de R$20 a R$30. Havia policiamento intenso e revistas corporais na entrada. Dentro, uma área ampla e iluminada vendia bebidas e lanches a preços salgados: caipirinhas entre R$20 e R$25, chopp a R$10 e cerveja Bavária a R$5.

Na arena, o som era ensurdecedor. Um locutor berrava com agressividade, narrando provas de cavalo e depois o rodeio com touros. Entendi que o competidor precisava resistir oito segundos sem cair. O público vibrava; eu não.

Terminada a competição, o locutor exaltou coragem, tradição e a proteção de Nossa Senhora Aparecida. Só então começou o show. O som alto me incomodava. Os cantores rebolavam, as jovens se animavam, o público cantava todas as letras. Eu não conhecia nenhuma.

As pessoas dançavam, bebiam, levantavam os braços em êxtase. Eu torcia para a hora passar. Talvez se tivesse bebido, suportaria melhor o tédio. Mas nem isso me animou.

Espero não voltar tão cedo a um evento assim. Prefiro uma mesa com boa comida, cerveja gelada ou caipirinha, uma boa conversa e, depois, uma cama aconchegante.



13/08/2016

Estranhos que se dizem bom dia


Trabalhavam na mesma empresa.
Todos os dias, caminhavam em direção oposta pelo mesmo corredor.

Nunca conversavam!
Repetiam esse ato por anos a fio.
Aproximavam-se de cabeça baixa e pronunciavam:
- Bom dia!
Dependendo do estado de humor e das circunstâncias, davam um sorriso forçado para simular simpatia.
Eram estranhos que se cumprimentavam!
Passar quieto perto do outro era considerado falta de educação.
Eles nem sabiam o nome um do outro, mas fingiam se conhecerem.
Usavam o mesmo tom de voz e a mesma cara de amigo, embora evitassem qualquer contato visual.
Um dia, a empresa onde trabalhavam implantou um programa para integrar seus funcionários.

A norma estabelecia era que todos deveriam sentar com pessoas cujos contatos eram raros e, como todos que possuem juízo, normas nunca devem ser questionadas, apenas cumpridas!
No dia estabelecido, tiveram que almoçar juntos por força dessa circunstância.
No dia marcado estavam apenas os dois sentados na mesma mesa para almoçar.
O silêncio era constrangedor.
Mal se olhavam e nem tinham assunto.
Aliás não sentiam nenhuma vontade de falar um com o outro.
Estavam próximos e entediados com a presença do outro, mas normas, são normas!
Um fez cara de preocupação e olhou para o prato como se fosse um médico cirurgião diante de corpo aberto.

O outro olhava para o teto como contemplando o teto como se fosse um imenso céu.
Nem sentiam o gosto da comida lançada em direção às suas bocas.
O ponteiro do relógio parecia paralisado.
Finalmente um tomou a decisão de se levantar, pediu licença e foi embora com seu prato ainda cheio.


No dia seguinte novamente se encontraram de passagem pelo corredor e sorridentes pronunciaram:
- Bom dia!

Humanos são seres educados!

17/07/2016

Silêncio forçado


É hora de silenciar-se para sobreviver.
Quando a hesitação predomina, oportunistas sentem o cheiro da presa e assumem o controle como raposas sedentas pelo poder.

04/07/2016

Você é justo?



Adoro essa frase atribuída à Sêneca e faço a seguinte pergunta?

Você já julgou alguém sem ouvir os dois lados ou foi julgado sem ser ouvido?

Somos julgados o tempo todo... O chato é quando não temos oportunidade de nos defender e pior ainda é se você está numa situação onde o seu futuro é decidido entre paredes e a sua voz ignorada. Neste caso, fica apenas a versão daquele que possui a possibilidade de falar e julgar!

Este, infelizmente, é um risco que todos correm. Não ter a oportunidade de demonstrar a sua versão é injusto! Espero sempre ter a oportunidade de falar a minha versão.


03/07/2016

A lenda do café


Ano passado, participei da fase final de um projeto de café denominado Kaldi. A história desse nome é bem interessante e por isso, compartilho aqui no Diário Banal.

Não há evidência real sobre a descoberta do café, mas há muitas lendas que relatam sua possível origem.

Uma das mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café. O nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV. 

Os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Yêmen, onde, consumido como fruto in natura, passa a ser cultivado. Somente no século XVI, na Pérsia, os primeiros grãos de café foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos. 

O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves pelos árabes. Era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações, e os árabes protegiam as mudas com a própria vida. A semente de café fora do pergaminho não brota, portanto, somente nessas condições as sementes podiam deixar o país.

A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, trazido por viajantes em suas frequentes viagens ao oriente. Até o século XVII, somente os árabes produziam café. Alemães, franceses e italianos procuravam desesperadamente uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias. 

Mas foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus. 

A partir destas plantas, os holandeses iniciaram em 1699, plantios experimentais em Java. Essa experiência de sucesso trouxe lucro, encorajando outros países a tentar o mesmo. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, enquanto os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon. 

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo. 




02/07/2016

O ronco idiota da moto!


Acho que todos temos pequenas implicâncias no dia a dia, e inclusive já confessei algumas aqui no Diário Banal.

A implicância de hoje é com aquele motoqueiro que surge do nada e acelera sua moto possante com exagero e sem necessidade, mesmo em locais de trânsito lento. Não me refiro às aceleradas suaves para manter a moto ligada — até porque veículos com manutenção em dia não precisam disso. São agressões à paz interior e ao ambiente. Já que existe lei para tudo neste país, penso que deveria haver também para esse comportamento.

Eu sempre me assusto com esses roncos deliberados, provocados por pavões do asfalto carentes de atenção e de narcisismo exacerbado.

Já ouvi de um amigo motociclista que o ronco alto do motor dá muito prazer ao seu dono.

Ah, então é isso? Pois que busquem esse prazer na pista, longe das pessoas. Minhas desculpas aos amigos motoqueiros, mas agindo assim parecem idiotas sem educação, que não se importam com os outros e querem chamar atenção a qualquer custo enquanto passam. Esse tipo de gente parece sentir uma necessidade imensa de exibir o seu “rabo de pavão” colorido diante dos demais.




28/06/2016

Meu filho, aprendiz da vida!



Aqui está o seu texto revisado, com ajustes de gramática, fluidez e ritmo, mantendo o tom emocionado e literário:

Esta semana fiquei muito feliz, e por um motivo muito especial!

Meu filho foi admitido ontem, 27 de junho de 2016, em uma indústria alimentícia.

Escrevo isso com orgulho e conhecimento de causa, afinal dediquei — ou melhor, continuo dedicando — minha vida profissional há 31 anos a essa mesma corporação.

Meu filho ingressou como aprendiz e também está muito feliz por essa primeira oportunidade de ouro.

Por coincidência, eu também entrei com 19 anos, mas em uma situação bem mais desfavorável. Não tive um pai que me orientasse sobre como me comportar em um ambiente profissional, pois ele faleceu quando eu tinha 14 anos, deixando minha mãe viúva com três filhos. Ainda assim, com muita força de vontade e dedicação, consegui superar todos os desafios.

Parabéns, Rodrigo, por iniciar seu primeiro emprego através de seu próprio mérito, na mesma empresa onde seu pai construiu sua trajetória profissional. Saiba que estarei sempre aqui para orientá-lo, para que desempenhe sua função com eficiência, ética, honestidade, boa vontade, educação, atenção, disponibilidade, interesse em aprender e respeito ao seu líder, aos mais velhos e a todos que cruzarem o seu caminho. Lembre-se sempre: ninguém vence sozinho.

Sua jornada será longa, mas pode ter certeza de que valerá a pena. Siga em frente com honestidade e respeito, e jamais interrompa seus estudos ou desanime diante das pedras ou chuvas que certamente surgirão — em qualquer lugar ou momento da vida. Essas condições serão parte fundamental do seu aprendizado e do seu aperfeiçoamento, como homem e como profissional.

Abraços, meu querido filho, e desculpe por este “velho” pai expor sua felicidade em público. Não poderia deixar de registrar um momento tão importante, mesmo sabendo que você é discreto e prefere evitar esse tipo de manifestação. Não consegui conter minha alegria e orgulho por essa etapa da sua vida!



Esse é o meu querido filho em sua igreja!

25/06/2016

Jacutinga, queijo e café.

 

Hoje acordei cedo e fui a Jacutinga, cidade mineira conhecida pelo forte comércio de malhas e tricôs, distante 107 km de Araras-SP, onde moro atualmente.

O céu estava azul, com temperatura em torno de 12 °C nas primeiras horas, aquecendo bastante ao longo do dia — a ponto de precisar ligar o ar-condicionado quando retornei para casa.

Muitos lojistas e sacoleiros de diversas cidades compram no atacado para revender ao dobro do preço em suas regiões.

Finalmente, depois de cinco anos sem precisar de nada para o frio, tive que adquirir algumas peças para a estação.

Missão cumprida! Além do passeio e das roupas de inverno, trouxe também um apetitoso queijo meia cura e pó de café moído daquela boa terra. O aroma delicioso do café nos acompanhou no carro durante toda a viagem, aguçando nossa vontade e pressa de chegar logo em casa.

Carro na garagem, pudemos enfim saborear aquele café maravilhoso com cheiro e gosto de café, acompanhado de um queijo com gosto de queijo. Parece óbvio, mas aqui em minha região isso não é possível apreciar com tanta qualidade, infelizmente.

Queijo e café: duas coisas simples que tornam a vida mais agradável.


23/06/2016

Noite feliz!



A noite silenciosa foi interrompida pelo trovão e o ruído da chuva. Acordo assustado e procuro o celular para consultar as horas. Era perto das 4:00 h e fico aliviado ao saber que ainda tenho mais 2 horas para dormir. Nenhum latido de cão. Apenas o barulho dos pingos nas telhas. Adormeço feliz e torcendo que o tempo seja eterno no aconchego da cama quente.


22/06/2016

Fígado gordo. Só me faltava essa!



Na virada deste ano, ao invés de relacionar os desejos para o ano novo como faz a maioria das pessoas, resolvi fazer diferente e registrei aqui no diário banal as coisas que eu jamais faria no ano novo que se iniciava.

Pois bem, chegamos na metade deste ano e confesso que resolvi quebrar uma das "promessas", mas por uma boa razão. 

Tudo começou quando eu percebi uma dor de cabeça constante e que mesmo tomando dipirona sódica a dor não passava!

Resolvi procurar um médico, que após analisar o exame de sangue constatou que estou com o fígado gordo. Eu nem sabia que o fígado engordava! O nome técnico dessa condição é esteatose hepática. Nada grave, desde que se cuide. 

Diante disso, para que as minhas bilirrubinas retornem aos níveis aceitáveis e o meu fígado fique magrinho, tenho que fazer apenas duas coisas: dieta e exercícios. 

Confesso que eu estava sem fazer exercícios desde dezembro e passei a comer de tudo que sentia vontade e... engordei!

Eu até poderia caminhar à noite e andar de bicicleta nos finais de semanas, mas com esse frio intenso não dá né!

Bem, para resolver esse impasse, fui até uma boa academia da cidade, matriculei-me e estou frequentando todas as noites. Estou conseguindo! Quando coloco algo na minha cabeça ninguém tira. Sou teimoso até comigo. Chego lá com frio e saio pingando de suor!

Paralelo a isso, elaborei um pacote completo de "sofrimento" eliminando pão, massas, refrigerante, fritura e gordura. O benefício é que após uma semana com este propósito não senti mais nenhuma dor de cabeça. 

Além disso , estou tomando também o tal óleo de cártamo que o farmacêutico disse que ajuda, mas não tenho tanta certeza assim de seu efeito. Esse pessoal fala qualquer coisa para vender... Informei-me que é um óleo parecido com o azeite de oliva, parente do girassol...acho que não vai fazer mal. Espero!

Para ajudar a quebrar o meu hábito alimentar, assisti vários vídeos no YouTube para fazer-me uma auto lavagem cerebral sobre saúde, nutrição e emagrecimento e me deparei com um tal de Lair Ribeiro. Pense num sujeito falastrão, bom de mídia e marqueteiro. Então esse é o cara. Ele se apresenta como cardiologista e nutrólogo, mas lembra muito aquele pastor Silas Malafaia. Ele tem toda a pinta de um pastor! Ele diz também já escreveu mais de 200 livros, lecionou nos Estados Unidos, mestre disso, daquilo, com vários diplomas, blá blá blá... nunca vi tanta auto promoção!

Então, o cara é xarope, mas apesar disso falou algumas coisas interessantes sobre o veneno que é o refrigerante, o adoçante, o óleo de canola e até a água de garrafa! 

Apesar desse perfil duvidoso, gostei demais de uma frase que ele disse e compartilharei, pois achei achei bem pertinente:

"Aquele que não tem tempo para cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo para cuidar da doença."

Nesse ponto ele tem razão!



21/06/2016

Expectativa de vida em 2016




Parece que "papai-do-céu" atualizou seus KPIs referentes a expectativa de vida do planeta Terra. O continente Africano continua com os menores índices, sendo Sierra Leone (50.1 anos) e o Japão a maior longevidade (83,7 anos)! 

Segue o link caso tenha curiosidade. Passe o mouse sobre os países e gráficos e veja que interessante.


Expectativa de vida no mundo aumenta 5 anos entre 2000 e 2015

É o maior crescimento desde os anos 60, segundo OMS.

Japão, com expectativa de 83,7 anos, lidera. Suíça é 2º, com 83,4 anos.

A expectativa média de vida no mundo aumentou 5 anos entre 2000 e 2015, o maior crescimento desde os anos 60, e agora a média de vida global se situa em 71,4 anos, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).


20/06/2016

Inimigo do conhecimento




Como Hawking disse, o maior inimigo do conhecimento não é ignorância, mas a ilusão do conhecimento. Pessoas saem de dentro das igrejas pensando saber tudo o que um físico, biólogo e os demais cientistas passam a vida tentando entender!


19/06/2016

Acordar sem relógio


Hoje o relógio não despertou e mesmo assim acordei cedo!
Despertar "naturalmente" todos os dias é um luxo reservado apenas aos sábados, domingos e feriados.
Uma vida inteira acordando cedo e saindo da cama à força.
Nos dias comuns, quando faltam alguns minutos para o celular despertar, a mente e o corpo ficam na expectativa e a cama mais agradável!
Depois desse momento crítico, um banho quente e um café-com-leite restabelecem o equilíbrio e a vida segue melhor.
Ainda bem! Caso contrário poderia até julgar que o sono eterno fosse melhor do que viver!


18/06/2016

Frio intenso em Araras



Nunca senti tanto frio em minha vida quanto esta semana aqui em Araras-SP. Amanhecemos por duas semanas com temperaturas abaixo de 10ºC!!!

Aliás este é um fenômeno que está atingindo quase todo o Brasil com exceção do nordeste e norte do país, como habitual.

Sair de casa cedo para trabalhar tem sido um sofrimento... A cidade de Araras tradicionalmente é muito quente a maior parte do ano, mas dessa vez me surpreendeu. 

Quando eu passava perto de um condomínio cujas casas possuíam lareiras, eu achava essa instalação inútil, mas juro que depois dessa semana tenebrosa irei rever o meu conceito. 

Acho que se um dia eu tiver dinheiro para construir uma boa casa, instalarei uma lareira, mesmo que seja para utilizar poucas vezes no ano porque quando precisamos é que descobrimos o seu valor.


17/06/2016

Aposentadoria Vanderlei Lacerda




Hoje foi a despedida de um antigo colega de trabalho. Apesar de tímido, senti que deveria falar alguma coisa para ele durante a sua homenagem no auditório da fábrica onde trabalhamos. Tive que vencer essa minha limitação e me expor em público! Para registro desse momento, rascunhei as palavras abaixo e o dediquei em seu último dia de trabalho mais ou menos assim:

Por obra do acaso, percorremos o mesmo caminho há muito tempo. 
Nascemos em Barra Mansa. 
Vanderlei é filho de um leiteiro e eu de uma viúva. 
Conheci o Vanderlei quando estudávamos no SENAI. 
Éramos garotos e tínhamos 16 anos. 
O Vanderlei era magro, seus cabelos eram pretos, mas com esses mesmos olhos arregalados que vocês conhecem! 
Ele estudava Tornearia Mecânica e eu o curso de Fresador Industrial. 
Terminamos o SENAI e quando e cada um seguiu seu caminho. Só que não! Para usar uma frase dos jovens. 
Assim que saí do SENAI, resolvi trabalhar numa oficina de usinagem chamada ESFIL, uma oficina que ficava em meu bairro sem muita estrutura. Uma oficina sem banheiro, sem refeitório, sem café, sem sabão para lavar as mãos, sem EPI e principalmente, SEM FUTURO. 
E lá encontrei o Vanderlei mais uma vez! Ele trabalhava num torno mecânico antigo e eu numa velha fresa. Aquilo não era vida, mas era o melhor que tínhamos. Foi ali que tivemos a primeira oportunidade e sou grato até hoje por ter iniciado naquelas condições. Com a dificuldade aprendemos a dar mais valor na vida. 
Paralelo ao trabalho na oficina resolvi fazer o curso de desenho técnico no colégio Verbo Divino, um dos melhores cursos da região da época... lembro até hoje do professor Koiti Teresaki. E, para minha surpresa lá estava o Vanderlei novamente também fazendo o mesmo curso. 
Formamos em anos diferentes, mas sempre seguindo a mesma estrada. 
Até que em 1985 entrei na Nestlé de Barra Mansa como desenhista com 19 anos. Passaram dois anos e em 1987 lá estava o Vanderlei com seu olho arregalado! 
O Vanderlei foi para a oficina mecânica, sua paixão e eu fui para o Escritório Técnico. 
A fábrica de Barra Mansa funcionava como uma família. Só quem trabalhou lá sabe do que eu estou falando. O Tairo é testemunha disso porque trabalhou e sofreu com a gente lá. Nossa fábrica quase não tinha investimento, mas possuía uma outra riqueza que o dinheiro não compra: a amizade, o companheirismo e o trabalho em equipe. 
Existia uma competição muito grande com a fábrica de Araras. Araras sempre foi uma sombra para a nossa fábrica, mas isso foi legal porque havia uma competição saudável para conseguirmos números iguais ou melhores que Araras. 
Era uma competição saudável semelhante àquela existente entre irmãos querendo superar ao outro. 
Bem o tempo passou e a história de Barra Mansa não teve um final feliz e em 2007 recebemos a pior notícia de nossa vida profissional. 
Vivemos o momento mais dramático de nossa carreira que deixariam marcas para sempre. 
Lugar nenhum se aprende, estuda ou se prepara para fechar uma fábrica. 
Somos treinados para ampliar, construir, inaugurar e comemorar uma linha nova, uma fábrica nova e perseguir os objetivos. 
A fábrica de Barra Mansa seria fechada e suas instalações deveriam totalmente transferidas para Araras. 
E lá estávamos nós juntos para a missão mais dramática de nossas vidas! 
Eu fui o designado para ficar até apagar as luzes! Não foi fácil! Muitas noites sem dormir. 
Eu andava pela fábrica e escutava os ecos da fábrica em funcionamento. 
A sala vazia, a caldeira desligada...parecia uma fábrica fantasma. 
Naquele ano não estávamos transferindo apenas envasadeiras, tanques e bombas... 
Era uma parte importante de nossa vida que estava sendo modificada para sempre 
Aquela decisão representava a ruptura de uma era, da convivência diária e de nossos sonhos compartilhados. 
Sofremos muito despedindo de cada amigo. 
E as despedidas foram acontecendo de forma gradativa! 
E a cada despedida um abraço e muito choro. 
Choramos por diversas vezes. 
Pelas pessoas, pela fábrica, pelas histórias, pelos amigos. 
A dor era psicológica. Enquanto Araras comemorava a ampliação da fábrica, a gente sofria. 
Mas o tempo passou e as lágrimas secaram. 
Fomos convidados para trabalhar aqui nessa fábrica. 
Queríamos continuar a história Nestlé e a empresa nos possibilitou esse desejo. 
A fábrica nos recebeu muito bem e isso foi fundamental para suportarmos a distância de nossas raízes e continuarmos a nossa jornada, crescendo com a empresa e cuidando de nossa família. 
Hoje, passados 9 anos, podemos dizer que foi acertada a decisão de chegar até aqui. 
Tivemos obstáculos nessa caminhada e conseguimos enfrentá-los com honestidade, caráter, com o apoio da família e muita força de vontade. Não foi fácil chegar até aqui Vanderlei, mas conseguimos. 
De vez em quando bate uma saudade das pessoas, mas a vida continua e ficar preso ao passado é perda de tempo. 
Como vocês puderam reparar, tivemos muitas dificuldades para conseguir fotos com o Vanderlei, porque ele sempre estava debaixo de alguma máquina. 
Para finalizar Vanderlei, você foi um profissional exemplar com sua dedicação, disponibilidade e força de vontade. Um homem do campo que ama a mecânica e que não queria ser “chefe”, para usar um termo ultrapassado! 
Lá na minha casa, eu tenho um filho de 19 anos e eu sempre uso você como exemplo de superação e força de vontade, porque você veio para Araras com esposa e mais de 40 anos e conseguiu além de trabalhar todos os dias e inclusive finais de semana e ainda assim conseguiu, paralelo a isso, fazer uma faculdade de engenharia à noite, na UNIP, deixando sua mulher sozinha em casa e longe de todos os parentes e amigos e conseguiu formar a duras penas em 5 anos viajando essa Anhanguera, depois do árduo trabalho aqui dentro. 
Você é um exemplo. Te admiramos e que você consiga ter a mesma qualidade na sua vida que sempre buscamos para os nossos produtos desde que pisamos nessa estimada empresa. 


Obrigado mesmo pela companhia desses 29 anos! 




12/06/2016

Quebrando o encanto


Neste sábado com temperatura média de 10°C aqui na cidade de Araras, interior de São Paulo, fiquei em casa como habitual e resolvi esconder-me debaixo do edredom lendo um livro do Daniel Dennett que se chama "Quebrando o encanto".

Ele inicia o livro pedindo ao leitor que observe uma formiga em um prado, laboriosamente subindo por uma folha de capim, cada vez mais alto, até que cai, depois sobe outra vez, e mais outra, como Sísifo rolando sua pedra, sempre tentando chegar ao topo e faz a seguinte pergunta: Por que ela faz isso? Que benefício estará buscando para si própria nessa estranha e extenuante atividade? 

A pergunta é que está errada. Não há benefícios biológicos para a formiga. Ela não tenta obter uma visão melhor do território, nem procura comida ou se exibe para um parceiro em potencial, por exemplo. Seu cérebro foi dominado por um parasita minúsculo, Dicrocoelium dendriticum, que precisa entrar no estômago de um carneiro ou de uma vaca para completar seu ciclo reprodutivo. 

Esse pequeno verme cerebral dirige a formiga a uma situação que beneficie sua progênie, e não a da formiga. Esse não é um fenômeno isolado. Do mesmo modo, parasitas manipuladores infectam peixes e camundongos, Essas caronas fazem com que seus hospedeiros se comportem de modo bizarro - até mesmo suicidas - para benefício do parasita, não do hospedeiro. 

Será que com os seres humanos acontece alguma coisa parecida? Acontece sim. Com grande frequência encontramos seres humanos que deixam de lado seus interesses pessoais, sua saúde, suas oportunidades de terem filhos e dedicam a vida inteira a promover uma ideia que se fixou em seus cérebros. A palavra árabe islam significa "submissão", e todo bom maometano dá testemunho disso, reza cinco vezes por dia, dá esmolas, jejua durante o Ramadã e tenta fazer a peregrinação ou hajj a Meca, tudo em nome da ideia de Alá e de Maomé, o mensageiro de Alá. Cristãos e judeus fazem coisa parecida, é claro, devotando a vida a disseminar a Palavra, fazendo sacrifícios enormes, sofrendo bravamente, arriscando a vida por uma ideia. Os skhs, os hindus e os budistas fazem o mesmo. E não nos esqueçamos dos muitos milhares de humanistas seculares que deram a vida pela Democracia, pela Justiça ou pela simples Verdade. Há muitas ideias pelas quais se pode morrer. 

Ao contrário dos vermes, as ideias não são seres vivos e não invadem cérebros; elas são criadas por cérebros. As duas coisas são verdadeiras, mas não são objeções tão reveladoras como a princípio parecem. Ideias não são seres vivos; elas não conseguem enxergar aonde estão indo e não tem membros com os quais guiar um cérebro hospedeiro, mesmo que conseguissem enxergar. É verdade, mas um Dicrocoelium dendriticum também não é exatamente um cientista de foguetes espaciais; não é mais inteligente que uma cenoura, na verdade; nem sequer tem um cérebro. Tudo o que tem é a boa sorte de ser dotado com características que afetam os cérebros de formigas dessa maneira útil sempre que entram em contato com elas. (Essas características são como as manchas semelhantes a olhos nas asas de borboletas, que algumas vezes enganam as aves predadoras, fazendo-as pensar que algum animal grande as está olhando. Os pássaros se afastam e as borboletas se beneficiam, mas sem mérito algum por isso). Uma ideia inerte, se for projetada acertadamente, poderá ter um efeito benéfico sobre um cérebro sem precisar saber que isso está acontecendo! E, se tiver, ela poderá prosperar, porque é feita por aquele projeto. 

A comparação entre a Palavra de Deus e um Dicrocoelium dendriticum é inquietante, mas a iniciativa de comparar uma ideia a uma coisa viva não é nova. 

Bem, o livro continua mas paro por aqui. Caso tenha interesse pelo tema, recomendo. 

11/06/2016

Má vontade!


Quando me apresentei nesse Blog, prometi que escreveria qualquer coisa que surgisse em minha cabeça sem me preocupar com repercussões ou julgamentos e disse também que publicaria as minhas implicâncias. Sim, sou um sujeito implicante, confesso. 

E hoje para não fugir da minha proposta, escreverei sobre uma situação profissional que me incomoda muito.

Posso até perdoar a deficiência técnica ou falta de conhecimento do ser humano, mas se existe uma coisa que detesto na espécie é a má vontade.

Acho também que quanto menos talento a pessoa tiver maior deve ser o seu esforço, como forma de compensar sua falta de habilidade.

Tive a infelicidade de conhecer um indivíduo próximo da aposentadoria em certo lugar, que ao invés de segurar o "osso" com mais apetite, deixou para o final a sua pior parte. Além de sua má vontade característica, não colaborava com ninguém e adorava terceirizar o pouco de trabalho que lhe restou. Além disso se julgava merecedor de não precisar se esforçar para justificar o seu salário! 

Sabe aquele indivíduo ultrapassado que vai trabalhar bem arrumadinho e que julga a manutenção de sua imagem estética mais importante do que a imagem profissional e que gosta de falar qualquer assunto, menos trabalho e que só reclama e se esconde de todo mundo? Então, esse é o cara! 

Não é fácil aturar esse tipo de pessoa, ainda mais quando você precisa de alguma informação para o seu trabalho ser entregue! Pior do que isso é o sujeito ainda conseguir estabilidade! Aí não tem mais jeito! 

Ah! Esqueci de dizer que além dessas "qualidades" o sujeito é muito pontual... apenas para "bater" o cartão e ir embora! 

E torça para não precisar de informações desse má vontade faltando meia hora para encerrar o expediente porque certamente terá aborrecimento. 

Bem, termino aqui o meu desabafo no muro de lamentação no diário, meu terapeuta e confidente. 

Ah! E se alguém pensar que eu não devia escrever esse tipo de coisa aqui eu falo que não me preocupo porque conheço bem o meu meio ambiente apaixonado por futebol onde a leitura não faz parte da vida da maioria. E quer saber, se o protagonista ler, que se lixe pois só relatei fatos e se a carapuça servir o problema não é meu.


07/06/2016

Tipos de mentira


O teólogo Santo Agostinho, no século IV, classificou seis tipos diferentes de mentira: a que prejudica alguém, mas é útil a outro; a que prejudica sem beneficiar ninguém; a que se comete pelo prazer de mentir; a que se conta para divertir alguém; a que leva ao erro religioso; e finalmente, a que ele considerava "boa" mentira, a que salva a vida de uma pessoa. 




06/06/2016

Sobre a varíola



A varíola matou quase 500 milhões de pessoas só no século XX, apesar de muitas orações, rezas e todo tipo de súplicas.

A primeira experiência para curar essa doença mortal foi feita pelo médico Edward Jenner apenas em 1796. Até então, mortes, mortes e mais mortes. 

Ao observar pessoas que ordenhavam vacas não contraíam a varíola, desde que tivessem adquirido a forma animal da doença, Jenner extraiu o pus da mão de uma ordenhadora que havia contraído a varíola bovina e o inoculou em um menino saudável, James Phipps, de oito anos, em 04 de maio de 1796. O menino contraiu a doença de forma branda e logo ficou curado. Em 1º de julho, Jenner inoculou no mesmo menino líquido extraído de uma pústula de varíola humana. James não contraiu a doença, o que significava que estava imune à varíola. 

O autor da vacina é totalmente ignorado e esquecido. 

A doença está erradicada há 38 anos (último caso em 1976) e não existe nenhum fã. 

Edward Jenner nasceu no mês de Maio (17/05/1796) e infelizmente não será lembrado por ninguém aqui no Brasil. Isso serve para refletirmos sobre a importância e a gratidão que temos pelas pessoas que fizeram algo para a nossa vida! Agora perguntem quem foi Ayrton Senna!



05/06/2016

Meus 38 anos

Hoje completo 38 anos. Muitos dizem que é um dia especial, mas não o considero assim. Para mim, todos os dias possuem a mesma importância — e alguns, nem tanto.

Quando somos jovens, atribuímos um valor excessivo a cada idade alcançada, sobretudo ao dia do aniversário. Naquela época, aguardávamos essa data com grande expectativa. Sentíamo-nos únicos, exclusivos. Era uma fase em que nosso egocentrismo imperava, impedindo-nos de enxergar a realidade sob outra perspectiva. Projetávamos uma vida repleta de realizações. Tudo era possível... O futuro surgia como um palco destinado às melhores histórias, às mais grandiosas óperas, às comédias mais leves. Não havia espaço para a tragédia. O futuro parecia distante, e ai daqueles que ousassem desafiar nossos sonhos... coitados!

Chegávamos a criticar os viajantes mais antigos por não nutrirem os mesmos projetos que a flor da idade provocava em nossas mentes. Revoltávamo-nos com quem pensava diferente. Afinal, como ousavam discordar de mim, o centro do universo? Como dizia Protágoras, o famoso sofista grego: “O homem é a medida de todas as coisas.”

Nada como a viagem contínua do nosso minúsculo grão de areia estelar pela imensidão do universo, percorrendo a elipse do sistema solar, para nos ensinar que nem sempre conseguimos tudo o que planejamos — e para revelar o ridículo papel que representávamos.

Embora ainda espere que me reste um tempo razoável de vida, encontro-me numa fase em que já realizei vários sonhos, enquanto outros se tornaram impossíveis...

Por falar em sonhos, proponho a criação de uma nova palavra: bio-literária. A partir de hoje, 18/05/2004, terça-feira, ela representará o resumo do livro de uma vida anônima, pertencente a um entre seis bilhões de viajantes deste mundo.

Esse resumo equivale à vida de um livro de 500 páginas, das quais 316 já foram escritas — mais da metade. Resta-me escrever a continuidade da história e o último capítulo.

Este livro teve uma encadernação simples, sem letras douradas na capa, mas foi concebido com expectativa e dedicação. Sou parte do primeiro volume de uma coleção de três, encomendados pela modesta família Rodrigues. Meu querido genitor, infelizmente, por obra do somatório de fatores genéticos ou comportamentais, não pôde continuar participando de toda a história. Sua presença se resume ao primeiro capítulo, presente em apenas 116 páginas.

Foi um breve e triste capítulo — ou melhor, uma introdução um pouco mais extensa, porém não menos importante. Seu desfecho deixou marcas profundas por toda a obra, inclusive nos volumes 2 e 3.

Mas, como as páginas precisam ser viradas, este desconhecido descendente sobreviveu e hoje escreve estas linhas, observadas pelos próprios olhos...

O segundo capítulo começa com este personagem, bombardeado pelos hormônios da pós-adolescência, vacilando entre coragem e desânimo, determinação e desistência... entre a certeza e a certeza, pois nessa época julgamos que ninguém possui mais do que nós. Não há espaço para a dúvida. Muitos carregam esse dogmatismo do berço ao túmulo.

Porém, a necessidade de um porto seguro emocional, estável e feliz, sobrepôs-se às aspirações profissionais. O sonho de uma carreira foi interrompido por falta de visão e persistência.

A paixão por uma nova vida, ao lado de uma suave companheira, tornou-se prioridade nas páginas seguintes. Esse sonho se concretizou. A coincidência dos sentimentos, a paixão pelo olhar, pelo toque da pele, pelo perfume, pelo som da voz, pelo carinho, pela harmonia e sintonia, pelo desejo intenso de estar ao lado do outro todos os dias... ah, que época maravilhosa!

Se o livro terminasse aqui, apesar de poucas páginas, já teria o valor de um bom romance.

O capítulo seguinte apresenta o fruto desse encontro. Nasce o primogênito, cercado de expectativas, cuidados e projetos. É a realização de um sonho a dois. São as páginas mais coloridas e rabiscadas deste exemplar. Que capítulo interessante!

As páginas seguem sendo viradas, e a história prossegue... Várias ainda a construir, algumas arrancadas para preservar a reputação do livro. O próximo capítulo está em curso. O último ainda não foi escrito. É desconhecido, mas o futuro é pressuposto.

Este livro envelhecido, com páginas amareladas e corroídas pelo tempo, descansará um dia, silenciosamente, em alguma estante familiar.

Talvez algum descendente manuseie suas páginas e descubra as emoções vividas pelos personagens — se o tempo permitir e a percepção associar. Afinal, a Terra continua sua viagem rumo ao infinito, e novos livros seguem sendo escritos, contando a história da nossa humanidade...

Alex Gil Rodrigues
18/05/2004

 

02/06/2016

Falta coragem


Noite de quinta-feira fria e chuvosa.

Estou sentado no sofá de minha casa digitando essas palavras inócuas enquanto o Jornal Nacional anuncia que a câmara federal aprovou reajuste salarial para os servidores públicos dos três poderes, com impacto de 58 bilhões de reais até 2019. 

O incrível é que na semana passada o governo anunciou um provável rombo de 170 bilhões de reais nas contas públicas em 2016! Que paradoxo! 

Pena que faço parte de um povo covarde que só sabe reclamar e assistir o nosso país ser roubado. Eu disse nosso país? Quá-quá-quá! Infelizmente sou uma amostra desse povo banal, ignorante, passivo e acomodado. Reclamo apenas no conforto do meu sofá e nos meus teclados! Devia sentir-me envergonhado, mas como todo brasileiro, essa indignação dura apenas alguns minutos até a bola rolar!

Enquanto isso, o governo trabalha no projeto para implantar a aposentadoria aos sessenta e cinco anos porque faltará dinheiro para pagar aqueles que trabalharam a vida inteira! 

Será que o Corinthians vai ganhar essa noite?

Pois é! Acho que este idiota aqui vai dormir porque não tem coragem nem de tomar uma providência e muito menos vontade de assistir os jogos desta noite.



31/05/2016

Visitando Poços de Caldas

Foto retirada de meu celular
Estamos terminando o mês de maio e o feriado de Corpus Christi de 2016.

Foram 4 dias longe do trabalho e perto da família. Sendo sincero eu nem sei o significado religioso deste feriado, mas nessas alturas isso não me importa. Aproveitamos a folga para retornar à Poços de Caldas-MG depois de 6 anos. Esta é uma cidade que me agrada com seu clima fresco, comida mineira, cachoeiras e natureza. 

Enquanto passeava pelo jardim muito bem cuidado da praça central, ouvi um senhor nativo conversando com outra pessoa que aquela cidade no passado se parecia com a Suíça. Não sei como ele chegou a essa conclusão, pois não conheço aquele país.

Sempre que conheço um novo lugar, gosto de pesquisar a sua história. Para esta cidade encontrei as informações logo abaixo através da Wikipédia. Pode não ser a melhor fonte mas ainda é melhor do que os comentários que a gente ouve pela praça.

"Desde 1886, funcionava no município uma casa de banho, utilizada para tratamento de doenças cutâneas. Ela se servia da água sulfurosa e termal da Fonte dos Macacos. Em 1889 foi fundado, por Pedro Sanches, outro estabelecimento para o mesmo fim, captando água da Fonte Pedro Botelho, no local onde está o parque infantil Darcy Vargas. Ali, a água sulfurosa subia até os depósitos por pressão natural. O balneário não existe mais. Em seu lugar foram construídas, no final dos anos 20, as Thermas Antônio Carlos, um dos mais belos prédios do município.

Poços recebeu seu primeiro visitante ilustre, o Imperador Dom Pedro II, em outubro de 1886. Ele esteve na "freguesia", acompanhado da imperatriz dona Teresa Cristina, para a inauguração do Ramal da Estrada de Ferro Mogiana. Três anos depois, em 1889, o município foi desmembrado do distrito de Caldas e elevado à categoria de vila e município. Seu nome tem relação com a história da Família Real Portuguesa. Na época em que foram descobertos os poços de água térmica e sulfurosa e, o município de Caldas da Rainha, em Portugal, já era uma importante terma utilizada para tratamentos e muito frequentada pela família real. Caldas possui o mais antigo hospital termal em funcionamento no mundo, desde o século XVI. Como as fontes eram poços utilizados por animais, veio o nome Poços de Caldas.

A prosperidade e o luxo tiveram seu grande momento em Poços de Caldas enquanto o jogo esteve liberado no Brasil. Pelos salões do Palace Casino e do Palace Hotel desfilava a nata da aristocracia brasileira e até de outros países. O presidenteGetúlio Vargas tinha uma suíte especial no hotel, com a mesma decoração da que ele usava no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então capital do país. O quarto ainda hoje preserva os móveis e o estilo da época. Mas uma das maiores atrações do hotel continua sendo sua piscina térmica, construída num suntuoso salão sustentado por colunas de mármore de carrara.

Dentre os artistas que passaram pelo Palace Casino naquela época áurea incluem-se Sílvio Caldas, Carmem Miranda,Orlando Silva e Carlos Galhardo. Estiveram também em Poços de Caldas personagens ilustres como Rui Barbosa, Santos Dumont, o poeta Olavo Bilac e o romancista João do Rio. Entre os políticos, o interventor de Minas Gerais durante o Estado Novo, Benedito Valadares, e o presidente Juscelino Kubitschek, entre outros, foram também presenças constantes.

A proibição do jogo, em 1946, e a invenção do antibiótico tiveram forte impacto para o turismo no município. O termalismo deixou de ser a maneira mais eficaz de tratar as doenças para as quais era indicado. E os cassinos foram fechados. A economia de Poços sofreu um grande abalo, mas logo encontrou uma alternativa ao entrar no "ciclo da lua-de-mel", quando tornou-se elegante passar as núpcias no município e o turismo conseguiu fôlego para sobreviver. Depois deste período, o perfil do turista que visita Poços mudou. A classe média e grandes grupos passaram a frequentar as termas, a visitar as fontes e outros pontos de atração do município, antes restritos à elite.

Em 2006, o município realizou investimentos para aumentar o fluxo de turistas, explorando outros belos atrativos de que dispõe, para pessoas de todas as idades e gostos, como o turismo ecológico, cultural, de aventura e esportes radicais."