02/11/2016

Dia de finados antigamente



Hoje é feriado de 2 de novembro e acordei lembrando do significado desta data.

O tempo passa, os costumes mudam — ainda bem.

Quando criança, neste feriado, as famílias se reuniam no cemitério em torno dos túmulos. Era uma espécie de tributo para quem não sabia que estava sendo homenageado. Eu ficava ali, imóvel como um vaso, sob o sol, aguardando o fim das conversas intermináveis entre os adultos, para repetir o ritual no ano seguinte.

Parecia uma sala de estar improvisada ao lado do túmulo, onde parte da família se encontrava uma vez por ano, sem precisar ir à casa do outro.

Havia também a preparação do cemitério: árvores cortadas, grades pintadas, chão varrido. As famílias pagavam os coveiros para limpar ou pintar os túmulos, muitas vezes com tinta barata ou cal. Do lado de fora, flores, frutas e velas eram vendidas em ritmo frenético. Do lado de dentro, o povo se movia entre os túmulos sob o calor de novembro. No cruzeiro, velas acesas criavam um espetáculo deprimente, misturando cheiro de cera queimada, suor e calor.

Hoje não faria isso em hipótese alguma. Mas naquela época, era normal, e ninguém parecia aborrecido.

Agora, este feriado significa descanso. A gratidão, a saudade e os sentimentos que guardo pelas pessoas queridas permanecem silenciosos dentro de mim, sem necessidade de estar ao lado de um túmulo. Um dia, inevitavelmente, descansarei ali também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário