Na juventude, a arquitetura do mundo parece ser de vidro e concreto. Todos os projetos são possíveis. O céu é o limite, e o chão, esse lugar monótono, é reservado aos fracos.
Somos, admitamos, arrogantes, prepotentes e idealizadores. Imaginamos que, para se conseguir qualquer coisa, basta querer. É a fase do "querer é poder".
Haha!
Acredita-se convictamente nessa frase. Jovens são convictos, e essa convicção é perigosa. Nietzsche já alertava que as convicções são as inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras. Eu também já fui um desses. Acreditava que o pensamento movia o mundo e que quanto mais forte o meu "querer", mais rápido alcançaria o que eu desejasse. Para o jovem, tudo é possível: o sucesso, a beleza, o futuro, a riqueza.
Até que, um dia, Cronos nos lembra que tudo será reavaliado. Acontece com todo mundo. Tudo tem um prazo de validade, até mesmo os sonhos mais coloridos.
O jovem pensa que entende de velhice sem nunca ter ficado velho. É como querer falar de filhos sem ter filhos, ou como aconselhar um casal sem nunca ter sido casado. O mundo se divide em bonito ou feio, uma espécie de maniqueísmo ditado, talvez, pelos hormônios. O jovem olha para o velho como um derrotado, sem objetivos.
Não é nada disso, querido jovem. Um dia, você também será velho.
Conforme o tempo avança, aceitamos que nem tudo é possível, e, assustadoramente, quase tudo é impossível. É a consciência de que somos limitados e finitos. A luta no futuro será pautada por outras necessidades. Manter o que se conquistou, afinal, também consome uma energia tremenda. O tempo é curto para grandes projetos. Nessa época, é melhor reunir todas as forças, garantir o chão sob os pés e parar de sonhar com as nuvens.
Eu também tive projetos não realizados e, pior, interrompidos. Não terminei de escrever o meu livro, não aprendi a nadar e, obviamente, não virei astronauta.
Sobre o livro, na verdade, eu quase terminei. Inesperadamente, parei faltando pouco para o fim. Às vezes, me pergunto o porquê. Acho que perdi o interesse, ou talvez a convicção.
Ninguém conheceu o meu personagem e sua pacata vida. Ele existe apenas na gaveta, no meu caderno e na minha mente. Seu nome é Zara Crotone.
Por que Zara? Ah, não tem um motivo especial. Zara foi uma homenagem ao Zaratustra, do filósofo do martelo. Quanto ao sobrenome Crotone, foi uma homenagem a uma cidade da Itália. Nunca estive lá, mas o imaginei vivendo naquela terra de Leonardo da Vinci.
E por que estou falando de Zara? Não sei. Estava falando sobre projetos interrompidos...
Às vezes, penso em terminar a sua história, que existe apenas na minha cabeça. Mas para quê? Quase ninguém mais gosta de leitura. O mundo se tornou rápido demais para se perder tempo com histórias inventadas. Além disso, histórias devem ser contadas para quem gosta de ouvir. Hoje existe muita boca para pouco ouvido. E haja boca suja. Ademais, não quero ser lido depois de morto.
Bem, preciso concluir esse tema. Iniciei escrevendo sobre jovens e acabei falando do velho Zara.
Mas por que o rumo de nossa prosa mudou?
Ah, lembrei-me! Zara também foi um jovem cheio de sonhos. Ele queria contar a sua história. Mas, pensando bem, quem quer saber de Zara?
Fico por aqui, chega de escrever histórias inventadas para ninguém.