Em certa ocasião, dirigia meu carro no retorno de um shopping em Piracicaba, a 60 km da cidade onde moro, quando algo muito desagradável ocorreu.
As condições meteorológicas eram excelentes, a pista tranquila, e a velocidade em torno de 100 km/h. Viajávamos serenos pelo lado direito, sem obstruir quem desejasse ultrapassar pela esquerda.
De repente, uma carreta sem carga surgiu em alta velocidade, passando rente à lateral do carro. O barulho foi assustador. Em seguida, forçou a entrada à minha frente, obrigando-me a virar o volante com rispidez para a direita e reduzir a velocidade, evitando a colisão.
A carreta seguiu disparada. Buzinei, pisquei o farol em sinal de indignação. Ele respondeu com o alerta traseiro antes de desaparecer pela estrada.
Por alguns minutos, analisei se havia cometido alguma falha na condução. Não encontrei explicação: sua pista estava livre, nada o obrigava a entrar à minha frente.
Naquele instante tenso, desejei ardentemente que algo ruim acontecesse ao motorista, para que “pagasse” pelo risco em que colocou minha família. O odiei por alguns quilômetros, com o sangue fervendo em minhas artérias.
Depois, fiquei pensando: seria essa reação prova de que sou uma pessoa má, incapaz de perdoar, ou apenas alguém que não tem sangue de barata?
Assim registro mais uma memória banal, enquanto a vida segue.

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