Entrei em casa e ela não me notou.
Estava quieta, olhando-me de soslaio.
Não se aproximou, permaneceu imóvel.
Algo estranho acontecia.
Nenhuma palavra, apenas olhos que me evitavam.
— O que poderia ter acontecido? — pensei.
Aproximei-me, tentando decifrar aquele ar misterioso.
Ela continuava calada. Nenhuma pista.
— O que eu fiz de errado?
Abri a geladeira, estiquei as mãos e escondi o gesto, só para aguçar sua curiosidade.
Finalmente, me olhou com desejo.
Seus olhos brilhavam.
Encostou-se lentamente em minha perna, como quem seduz.
Não resisti e sussurrei:
— Sofia, tenho algo que você adora.
Abri o sachê de carne e despejei o conteúdo em sua vasilha.
Sofia devorou como uma louca e, feliz, me olhou.
Ela me ama.
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