03/06/2015

Nestlé Barra Mansa




Essa foto é uma viagem ao passado.

Eu quando era menino, passava pela calçada dessa fábrica, parava no portão e ficava olhando aí para dentro, exatamente nessa área que aparece na foto. É claro que o cavalo não é de minha época, bem eu acho.

Eu ficava admirando as pessoas com uniforme branco, botas brancas e “quepe” igual soldado. Olhava isso e pensava: Quando crescer vou trabalhar aí dentro. 

Ali onde está encostado este caminhão era a Recepção de Leite com seu teto em formato de abóboda. Um pouco à direita, em frente ao cavalo era a janela do Laboratório. Logo atrás, se vê as duas chaminés das Caldeiras, sendo uma de tijolinho e outra de metal. Aquela construção lá no alto do morro era o tratamento de água do SAAE.

Quando completei 19 anos consegui realizar esse sonho e comecei a trabalhar nessa fábrica. 

Tive a missão de ser o último colaborador dessa fábrica, mas não conto isso com orgulho! 

Não foi fácil ser o último a apagar a luz do Escritório Técnico até chegar ao ponto de não ter mais ninguém para me despedir... 

Todos meus colegas e amigos foram partindo aos poucos até que me vi só, ocupando uma sala, sem nenhum “colaborador” para falar “até amanhã”...Tudo desligado. Desértico. 

Andava pelos corredores e o silêncio gritava nos meus ouvidos. 

O último dia foi o mais difícil. Desci os dois lances de escada, caminhei pelo corredor e parei perto da portaria para a última olhada. 

Foram momentos de muita tristeza observar essa mesma área que vemos nessa foto. Senti um nó na garganta e parti definitivamente, deixando para trás e para sempre a segunda fábrica Nestlé no Brasil, minha primeira escola profissional, a minha segunda casa, meus amigos e 24 anos de história. 

O resto dessa história, contarei oportunamente no meu Blog Banal. 

Vida que segue. 



Elaborado por Alex Gil Rodrigues. 


Chuva no telhado





Felicidade é acordar no domingo, ouvindo a chuva no telhado, sem relógio, numa cama macia e sem necessidade de sair de casa!


Elaborado por Alex Gil Rodrigues após acordar feliz numa manhã fria de domingo.

01/06/2015

Tudo é banalidade


A luz estava acesa e os meus olhos permaneciam fechados.
Era uma manhã fria do mês de maio e eu estava aquecido entre panos.
Mal conseguia mexer os braços e o ambiente era silencioso.
Abri os olhos lentamente e vi uma luz brilhante.
Um rosto feminino me olhou com ternura...

Tudo começou assim.
Tudo na vida tem um começo.
O meu foi dessa forma, eu acho, não me lembro.
A maioria dos eventos em nossa vida segue um roteiro automático e mal notamos.
Não escolhi meu nome, aliás ninguém escolhe.
Mas isso não tem importância.
Nessa fase não tomamos nenhuma decisão.
Alguém cuida da gente.
Não poderia ser diferente.
Somos muito frágeis.
Chega um tempo na vida que precisamos decidir tudo.
Andar com os próprios pés, como diz o ditado.
Mas isso leva um certo tempo.
Nessa época não temos opção.
À vezes lá na frente continuamos sem opção...
Apenas seguimos a programação biológica.
Nasci sem dentes. Normalmente se nasce sem dentes.
E essa informação é irrelevante.
Aliás, quase tudo aqui escrito não tem importância.
Escrevo apenas por prazer.
Do jeito que surge na mente.
Tudo bruto.
Mas por que estou escrevendo isso?
Ninguém tem interesse nisso.
Eu sei disso, mas talvez sirva de curiosidade para meus filhos ou netos!
Meu pai não deixou nada escrito.
Nem meu avô.
Gostaria de saber o que eles pensavam.
Via de regra, o interesse pelas pessoas é proporcional ao seu "poder".
Não tenho poderes, sou banal.
Mas existem exceções. Ainda bem.
Vou escrever sem me preocupar...
Deixarei meus dedos teclarem minhas bobagens até o ponto final.
Sem censura, sem regras.
Aqui não preciso seguir normas.
A vida já tem normas demais.

Como eu dizia, naquela época era dependente de tudo.
E foi assim por muito tempo.
Mamava todos os dias.
De segunda a segunda, inclusive Natal.
Não sentia falta de um cardápio variado.
Nem sabia o que era cardápio.
Nesse tempo não ficava esperando o final de semana.
Nem o feriado. Nem as férias.
Minha vida era automática.
Mas isso eu não sabia.
Vida de cachorro é assim todo dia.
E eles são felizes.
Não existe calendário.
Aliás a vida de todo mundo é automática.
Dormia, acordava, mamava, sujava a fralda e dormia.
No outro dia, acordava, mamava, sujava a fralda e dormia de novo.
Mamãe limpava minha fralda.
Minha vida era monótona.
Mas eu não sabia o que era monotonia.
Tudo ia bem. Eu acho.
Eu era ignorante.
Ou melhor, menos ignorante.
Ser ignorante tem as suas vantagens.
Vivia todos os dias com o mesmo roteiro.
E foi assim por um bom tempo.
Um dia mamãe me deu papinha.
Acabei me acostumando.
Acho que nem notei. Era o que tinha.
Não reclamava. Reclamar de que?
Meus dentes cresceram.
Comia com colher.
Comia de tudo.
O tempo passou mais um pouco.
Estava na escola.
Tinha um monte de gente que eu não conhecia.
Aprendi escrever e ler. 
Conheci gente que chamamos de colega.
Cresci mais um pouco.
Cheguei aos dezesseis anos.
Nesse tempo era chamado de jovem.
Entrei para estudar no SENAI.
Carteira assinada e salário mínimo.
Comecei exatamente nesse prédio aí da foto..



Um dia os professores do SENAI levaram os alunos para conhecerem uma indústria.
Era preciso integrar e ter a  visão do futuro!
Foi escolhida a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em Volta Redonda.
A maior do Brasil. A maior da América Latina.
Uma das maiores do mundo. Meu irmão trabalha lá.
O meu primeiro contato com uma indústria não me agradou.
Estava acostumado com a limpeza e organização do SENAI.
Achava que indústria fosse igual SENAI.
Confesso que foi um choque para um menino de dezesseis anos na década de 80.


Um frangote sem experiência em contato com o fogo. O vermelho. O ferro líquido. As chamas.
Os operários com roupas grossas, máscaras, luvas, botas e capacetes.
Apenas os olhos para fora. Era um olhar triste. Muito triste.
Aquele sujeito seria eu no futuro?
Uma burca masculina.
Muito calor. Coqueria, ferro gusa e muito suor.
A imagem do inferno, se eu acreditasse nisso.
Foi marcante.
O tiro saiu pela culatra.
Quando me formasse não queria ir para lá. Por sorte não fui.
E a vida continuou.
Surge estágio numa pequena oficina de usinagem perto da minha casa.
Um caos. Um lixo.
Oficina do José Laércio. Torno velho.
Fresadora antiga. Furadeira. Solda. Cavaco.
Sem EPI. Sem uniforme. Sem dinheiro e SEM FUTURO!
O banheiro servia de refeitório.
Um amigo de Barra Mansa chamado Vanderlei, que também trabalhava nesse local, vivia repetindo: "nada é tão ruim que não possa piorar".
Nessa oficina eu precisava levar café na garrafa. Gostava da hora extra só para comer marmitex à noite. Nem acredito nesse absurdo. 
Comprava sabão-areia com dinheiro minguado que recebia.
A limpeza da graxa das mãos era por conta de cada um. Que absurdo.
O tempo foi passando e tinha muita vontade de melhorar. Quem não quer?
Entrei no Curso técnico. Colégio Verbo Divino.
Professor Japonês. Koiti Terazaki.
Formei-me em desenho técnico e usava lapiseira Pentel. Que orgulho!
Um grande salto. Desenhei por uns tempos e isso me agradava.



Comprei uma prancheta, caneta nanquim e papel vegetal.
Apendi a manusear o tecnígrafo na escola, mas na minha casa eu usava régua "T". Depois a paralela.
Hoje quase ninguém sabe o que é isso.
Desenhava com gosto.
Cobria cada linha com tinta nanquim.
Era uma terapia.
Virava a noite desenhando e tomando café.
Esse curso de desenho técnico me colocou na Nestlé.
O projetista se chamava José Geraldo Koenigkam.
O desenho (sépia) naquela época era colocado numa caixa que continha amônia para revelar as linhas. A sala cheirava amônia.
José Geraldo me entregou uma engrenagem para desenhar.
Mas a vaga era para desenhista elétrico.
Tinha 19 anos e queria a vaga.
Contratado como terceiro por 3 meses em abril de 1985.
Na sala trabalhavam o Sr. Nascimento, o Vallejo e o JGK.
São meus amigos até hoje. Guardo boas lembranças.
Eu era um jovem pacato e tímido no alto de meus poucos 19 anos.
Tinha vergonha até de sorrir.
Naquela época o jovem respeitava quem tinha mais idade.
Dia desses uma aprendiz de 1,50 m me encarou com olhar desafiante que até achei graça. Mal saiu das fraldas, mas o nariz já está empinado. Precisa tomar muito mingau ainda.
Neste ano de 2015 completei 30 anos na mesma empresa privada e sem estabilidade. Uma espécie em extinção.



Na prancheta eu usava "gilete" para apagar as linhas no vegetal.
Paciência valia ouro. O tempo era mais lento. Mais gostoso.
Hoje é tudo rápido. Nervoso. Impaciente. Impiedoso. Tenso. Veloz.
A chapa é quente, como dizem em Barra Mansa.
Precisamos correr. O tempo não para.
Os olhos sempre arregalados. A cabeça doendo. Pressão. O sono perdido. A vida indo embora.
Sucesso, poder e status.
Geração “Y”.
No meu tempo não existia geração “Y”.
Nome moderninho para diferenciar quem veio de outra época e construiu o presente...
Geração “Y” é o "baralho"!
Vamos dar bom dia ao galo e trabalhar primeiro!
Idioma é fundamental, mas não movimenta a máquina.
É preciso suor, honestidade e dedicação.
Hoje qualquer metido a besta quer colher sem plantar.
É muita corda para pouco nó.
É muito juiz para pouco jogador.
Querem comer o abacaxi sem descascar.
A vida é dura para todos, dos Alfas aos Épsilons, como no romance de Aldous Huxley.


O pato é caro mas todos querem de graça.
A estrada de quem não tem berço tem mais pedra. Mais poeira. Deserta.
Dizem que você tem que ser alguém. Mesmo que não queira.
Ter sucesso é ser alguém.
Então a maioria não é ninguém?
Mas o que é ser alguém? Ser alguém para quê?
Eu não sou ninguém e já me acostumei.
O tempo passou.
A boiada foi seguindo.
Entrei na faculdade.
A escolha foi pela Engenharia Mecânica.
Não fiz teste de aptidão. Fui como um boi que segue a boiada.
Setenta quilômetros de casa.
Ida e volta. Cento e quarenta quilômetros.
Chegava em casa meia noite.
Caminhava pelo escuro. O mundo dormia.
Muita fome e silêncio,
Devia ter feito outro curso.
Filosofia, História, Astronomia? Gosto de explorar o universo.
Talvez cientista...
Gosto de investigar.
Investigando descobri um pouco sobre o mundo.
E os livros foram ótimos professores.
Descobri muita coisa por conta própria.
Aprendi a sobreviver na selva e sem pai.
Logo abaixo a foto da Universidade Severino Sombra em Vassouras-RJ.
Neste local, conheci o famoso e velho Severino Sombra em pessoa.
Era um simpático senhor de cabeça branca. Entrou na aula inaugural, contou sua história e seu sonho de construir sua "Coimbra" brasileira. Acho que ele exagerou um pouco!



Conheci também Granville, cálculo de diferencial, integral, chuva, acidente e morte na estrada para Vassouras.
Vinho às Sextas-feiras no ônibus fretado.
Um pouco de alegria!
O motorista era um gordinho chamado de Kami. Na verdade, era Kamikaze.
Trabalhava, viajava, estudava, viajava, dormia e trabalhava.
Vegetava. Sem dinheiro. Dormia tarde e acordava cedo. Final de semana. Estudava o dia inteiro e tinha pouco dinheiro.
Pausava somente à noite para namorar.
Alegria de novo! Ninguém é de ferro.
Vassouras por quatro anos.
Só faltava um ano. Pausa para casar. Depois o retorno.
Fui vencido.
E o tempo passou.
Você tem que ser alguém. Todo mundo fala assim.
E seu eu não for alguém? E se o custo for muito alto? E se eu for infeliz?
Isso não importa.
Temos que lutar para ser independentes.
Quem depende muito sofre mais.
O mundo é assim.
A busca constante por algo...
Nem sempre se se alcança...ou se alcança e não se realiza.
A vida é automática. Muito dura também. Não há como escapar.
A vida às vezes te empurra para um túnel. Sem saída.
Muito escuro, tenso, barulhento e afunilado.
Você tem que se virar e sair de lá.
Reclamar não adianta.
Ninguém quer viver no abismo.
Viver bem não depende de ser "alguém".
Viver bem é um estado de espírito.
Tem que aprender a ler o mundo e traçar o seu caminho.
Enxergar o melhor e filtrar o que não se pode mudar.
Acostumar com o defeito dos outros e seguir o seu trajeto.
Deixar o gado pastar e admirar a paisagem.
Ignorar os urubus e contemplar o céu azul. Ler livros que desenvolva a autonomia e o pensamento crítico.
Esquecer de tentar mudar o outro e seguir o próprio caminho.
Mesmo que sozinho.
Às vezes bancar o ignorante gera felicidade.
Alguns lemas banais que sigo: Jamais entregar o controle da vida à terceiros.
Nem a padre, pastor, rabino, xamã ou qualquer idealista "bem-intencionado" em te dominar. Primeiro te oferecem palavras e sorrisos, para depois te "formatar", julgar e dominar. Sua vida, seus gostos, sua música, seu passeio, sua mente.
Minha vida cuido eu. Aprender a decidir é ter maturidade e independência.
Não crio muitas expectativas. Poucos se preocupam realmente com a gente.Terceirizar a vida e pensamentos é sinal de fraqueza ou alienação.
Vivo de acordo com minha consciência e assumo os erros.
Valorizo a lealdade e quando entro na chuva, que se dane a água.
Valorizo também as "pequenas" coisas banais da vida. Isso dá muito prazer.
Prezo pessoas humildes. Prezo gente inteligente. Valorizo quem não esquece suas raízes. Gosto de gente honesta. Não gosto de arrogância e abomino a soberba.
Prezo a amizade sem interesse, um encontro em volta da panela, do ritual da churrasqueira, ouvir histórias do passado. Uma cama macia. Um livro que faz pensar. O mar. O céu azul. O cheiro do capim. A solidão fora do bando. O sol que aquece nos dias de inverno. Uma caipirinha de vez em quando. A beleza da juventude. O sorriso que contagia. Um abraço apertado. Uma música com os olhos fechados.
É possível ser feliz com simplicidade.
Ter prazer enquanto os pássaros dormem.
Pensar sobre os mistérios da vida e se encantar com a natureza.
Buscar momentos felizes antes que seja tarde...mesmo que breves.
Antes que tudo se apague.
É muito bom lembrar de chegar ao final da vida e ter histórias para contar e sentir prazer quando lembrar.
E chegar à conclusão que, apesar de tudo e de todos, valeu a pena!
Uma vida plena, apenas uma, para mim é o suficiente. Se é que me entendem.
  


Até mais!



Viagens escritas de Alex Gil Rodrigues em 02/06/2015. O título "Tudo é banalidade" foi colocado despretensiosamente em associação ao "Tudo é Vaidade" de Eclesiastes, porém sem relação com o conteúdo. Aliás considero Eclesiastes o melhor capítulo escrito na Bíblia, pela sua realidade e humanidade.

24/05/2015

As portas do passado




Viver o tempo todo no passado não é produtivo e nem saudável. O maior problema disso é quando a pessoa não consegue abandonar o passado e fica remoendo, remoendo, remoendo e se esquece de viver o presente.

Visito o passado com naturalidade e volto para o presente sem traumas e até sinto falta de vários momentos. 

É claro que existiram momentos desagradáveis...mas isso ocorre com todo mundo.

Algo sempre dá errado, mas o importante é tirar lição disso, repensar e seguir em frente. 

Vamos imaginar uma grande casa com muitos cômodos, trancados por pesadas portas de madeira. Imagine-se caminhando silenciosamente por esses longos corredores com piso de madeira bem ao estilo casarão do café. Em cada porta existe um quadro pintado com algum rosto ou cena de seu passado. Abrir a porta representa reviver de forma surreal a cena do quadro. 

Você caminha e pára diante de uma moldura fixada na porta e aquele rosto lhe traz uma lembrança feliz. Você então, sente vontade de abrir aquela porta e reviver aquele passado e sentir aquelas boas sensações. Você gira a maçaneta, entra e surpreendentemente percebe que o quarto está completamente vazio! 

Você esquadrinha visualmente cada pedacinho do quarto, na expectativa de reviver aquele passado, mas isso não é mais possível. O quarto realmente está vazio! 

Essa situação hipotética representa aquilo que sentimos quando tentamos reviver aquilo que já passou. Depois que o tempo passa, não é mais possível ter os mesmos sentimentos..."Game Over" para dizer numa linguagem mais moderninha. O tempo passou e você agora é outra pessoa... Suas expectativas são outras... Seus conceitos mudaram. Seus olhos não enxergam como antes. 

A sua interpretação sobre o mundo já não é mais a mesma. Tudo se transformou e não é preciso ser um Lavoisier para perceber esse fato. Os bons momentos ficaram apenas na sua lembrança. Não é mais possível reviver aquele passado...mesmo quando existe o retorno àquele local em que você foi feliz. Tente fazer isso na vida real. Não funciona, infelizmente. Tudo está mudado e principalmente você. 

Você se retira do quarto e segue andando pelo corredor observando outros quadros e resolve parar de frente à outra porta. Há uma tela pintada com o rosto de alguém que te deixou infeliz em algum momento de sua vida... Você fecha os olhos e suspira. 

Você não sente nenhuma vontade de entrar por aquela porta e subitamente vai embora apressadamente. 

Você tomou a decisão correta de não entrar. Não vale a pena reviver algo que já não deu certo e te feriu. 

Essa sala provavelmente estará "vazia" como a anterior, mas aquilo que te fez sofrer continuará "vivo" como uma brasa pronta te fazer infeliz ou suscitar pensamentos que te deixa mal... Não vale insistir em algo que já deu errado.


Texto banal elaborado por Alex Gil Rodrigues em 24/05/2015. 








19/05/2015

Super-heróis





Olá visitante, após um tempinho sem escrever minhas bobagens neste espaço por falta de tempo, volto para justificar o nome do Blog e distrair a mente.

Passei parte da minha infância assistindo seriados e desenhos dublados pela famosa "Versão Brasileira Herbert Richers" nos ano 70/80. Ouvia muito essa frase no início dos filmes e desenhos e nem sabia o que era. Trata-se do famoso estúdio de dublagem do Rio de Janeiro, porém de um brasileiro de Araraquara (Obrigado Google, pelas "preciosas" informações!:)

Naquela época, como a maioria das crianças com poucas opções de diversão, eu era fã de super-heróis como Homem Aranha, Capitão América, Thor, Incrível Hulk, Batman e Robin e vários outros.
Meus preferidos eram o Homem Aranha e o Super Homem. 
Hoje não sou fã de nada.

Vou confessar uma coisa bem infantil aqui no Blog Banal, meu cantinho de recordações e banalidades. 
Naquele tempo, eu tinha dois desejos na vida: Um era ser o Homem Aranha cujas teias eram projetadas pelos braços ao toque dos dedos na palma da mão, que permitiam viajar livremente pelos prédios ou pela vida e o outro era voar como o Super Homem, ter poder sobre o mundo e lutar contra as injustiças (quanta ilusão!). 

O tempo passou e hoje não quero mais saber desse negócio de ser o Homem Aranha e muito menos o Super-Homem. Ser "super" deve ser muito difícil. Contento-me ser mediano que já dá um trabalho imenso... :)

As demandas da vida adulta substituíram essa vontade de querer ser super-herói por "lutas" mais rotineiras da vida real, sem nenhum glamour, mas necessárias. Hoje me ocupo integralmente com meu trabalho, a manutenção da casa, do carro, das crianças, da mulher, da Sofia (nossa cadelinha), da Mimi (gatinha), dos meus livros, etc. e não tenho tempo e nem condição de ser super-herói!

Essas "lutas" roubam tanto o meu tempo que até perdi a vontade de "voar" e "salvar" o mundo. Ainda bem né. Não iria conseguir mesmo. :)

...

Dia desses, diante da sala de espera do dentista, puxei uma revista qualquer e encontrei um texto que explicava a relação dos humanos com os super-heróis (parece até mentira porque consultórios só existem revistas inúteis tipo Caras e afins). Lá dizia, se não me falhe a memória, que os super-heróis representam uma projeção do inconsciente criado para satisfazer, inconscientemente, aquilo que gostaríamos de ser ou ter sido...

Pode ser. Faz sentido. Acho que minha vontade de voar representava um desejo de liberdade que toda criança não possui... O jovem também adora "voar". Eu já estou na fase que mesmo que a porta da gaiola fique aberta, eu fico quietinho no "poleiro". :)

Às vezes até desconfio que papai-do-céu é uma espécie de super-herói dos adultos, projetado com os "superpoderes" que o homem não possui e gostaria de ter.

...

Hoje, ciente de minha limitação e condição de "escravo moderno", tento preservar a última parte do meu corpo que ainda é livre: a minha mente. E ainda assim, não entendo, como muita gente, incapaz de gerenciar a sua própria vida, entrega o seu último e precioso "bem" aos cuidados de terceiros. 


Outro dia escrevo mais sobre esse último parágrafo...Vou ficando por aqui para o texto não ficar grande demais.

Até mais!

Elaborado por Alex Gil Rodrigues em 19/05/2015

13/05/2015

Outro planeta





Todos os homens que se aborrecem num planeta passam a sua pobre vida a procurar outro.


A frase acima é de Charles Nodier.


05/04/2015

Os últimos dias de Edith Piaf

Por que estou publicando isso? Não sei bem exatamente, mas algo neste documentário me fez pensar (eu tenho mania de pensar bobagens, desculpem-me)...não sei explicar...talvez um interesse inconsciente pelo trágico, pela efemeridade da vida...pelo sucesso e fracasso...pela roda da vida. Ícones de uma época não representam nada ou quase nada para outras gerações. Isso serve para lembrar que nossa importância ou relevância é provisória e com prazo de validade...bem curto.
Bem, não preciso explicar a mais a motivação desta publicação. O Blog é banal e isso por si só suficiente.






Publicado por Alex Gil Rodrigues em 05/04/2015

04/04/2015

Non, Je Ne Regrette Rien




Edith Piaf - Non, je ne regrette rien 


Non, Je Ne Regrette Rien
INSTRUMENTAL

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je m'en fous du passé

Avec me souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux

Balayés les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien
Non! Je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!
Não, eu não lamento nada
Instrumental

Não! Nada de nada
Não! Não lamento nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não, nada de nada
Não! Não lamento nada
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas memórias
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus tremores (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero

Não! Nada de nada
Não! Não lamento nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada
Não! Não lamento nada
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!





Publicado em 04/04/2015 por Alex Gil Rodrigues.

01/04/2015

Gato estranho


Para iniciar o mês de Abril, como habitual, vou falar (escrever) sobre uma coisa banal. Mas Alex, todo mundo falando sobre a crise no Brasil e você escrevendo bobagens? 
- Relaxar é preciso!
Em minha casa vive um gato. Na verdade uma gata. Não sabia como funcionava um gato. Essa informação é irrelevante, mas aqui no Blog Banal tudo é irrelevante... 
Descobri que é um bicho muito estranho e misterioso. Fica me olhando sem "falar" nada. Parece até que tem algum plano secreto... Seu nome é Mimi. Nome bobo e banal. Fácil de pronunciar. Possui os pelos negros, macios, cabeça pequena e patas curtas. Seus olhos são verdes ou amarelos...nunca tenho certeza.
Não gosta de ser acariciada. Pensei que gatos gostassem de carinho. Na televisão é assim. Além disso, todo mundo curte um afago. Bem, isso é o que eu pensava antes de conhecer o mundo estranho de Mimi. Ela também não gosta de contato físico e as aproximações são difíceis e raras. Ocorrem de forma breve e forçada. Quer escapar a qualquer custo! Sua vantagem é não roubar alimentos. Nunca subiu na mesa. Isso também eu não admitiria. Sou um sujeito chato. Quando estamos à mesa ela sente o cheiro gostoso e corre para comer ração em sua vasilha. Deve pensar que em nossos pratos também tem ração, só que mais cheirosa.
Mimi detesta banho. Acho que todos os gatos detestam. Além disso, ela também não gosta de gente. 
Outro dia fui numa livraria do Shopping D. Pedro. Na capa do livro estava escrito: "Como saber se seu gato está planejando matar você". É um título estranho, mas é verdade. Podem consultar na web se não acreditarem em mim. Fiquei preocupado no início. Hoje durmo mais sossegado, mas tranco a porta do quarto.
É um bicho bem discreto. Também gosto de discrição. O problema não é esse. O problema é a indiferença. Conheço gente que se parece com gato. Até gosto dessa gata, mas prefiro nosso cachorro. Tomara que ela nunca leia esse texto no meu Blog Banal. Vai que ela seja alfabetizada...ou vingativa. Acho que preciso dormir. Já estou escrevendo merda!
Já o cachorro é bicho carinhoso. Existem cachorros mais amáveis do que gente. Ter um cão como amigo não tem preço. São leais e se levantam a qualquer momento para te cumprimentar. Não sei porque chamam gente de cachorro quando querem agredir. Ser chamado de cachorro é um elogio. Aqui em casa temos uma Basset Teckel. Na terra dos Zuritas é conhecida por salsichinha. Na minha época era o cachorro da Cofap. Os mais jovens não sabem o que é Cofap. O nome dela é Sofia. Quando chego em casa ela sai correndo de sua casinha e vem sorrindo em minha direção balançando a calda (Credo! Cauda é com "u" animal! Calda com "l" é outra coisa "humanal"!). Meus cachorros anteriores eram sem rabo. Rabo de cachorro parece um sensor da alegria. Fico feliz de voltar para casa e ser recebido assim. É gratificante ser importante para um cachorro. Sinto-me gente. Já a gata ignora a minha chegada. Até parece humano. Humano é raça complicada. Mimi vive em seu mundo. Às vezes me procura quando está com fome. É interesseira também. Parece gente. Nunca se aproxima desinteressada. É fria e sem emoção. Apesar disso, gosto dela. Não enche o saco. De manhã, ela sempre vem em minha direção para receber ração em seu "prato"...  Enquanto isso, preparo o meu café. Isso acontece todos os dias. Do mesmo jeito, na mesma hora. Tudo cronometrado. Gato é bicho de hábitos. Mimi é sistemática. Gato parece humano, porém mais fácil de se lidar.





Elaborado por Alex Gil Rodrigues em 01/04/2015.