12/10/2025

Final de domingo

Eis que se finda mais um domingo.

A Roda, implacável, não cessa o seu movimento. Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira... Chegando, afinal, à Quinta-feira, Sexta-feira, e outra vez a Sexta-feira, qual alento breve.

Verão, Outono, Inverno. A sucessão das estações não nos concede trégua. Chuva, Sol, Frio, Calor. A natureza é a única a se permitir a mutabilidade.

Ano Novo, vida nova? É a vida, porventura, reduzida a laborar, dormir e laborar? Existimos apenas para descansar a fim de trabalhar, e trabalhar para merecer o descanso?

A fadiga é o único prêmio que nos é conferido ao findar de cada jornada. Despertamos para resolver os problemas que nos assaltam; dormimos apenas para reunir forças e enfrentar novas tribulações. Os problemas da mente atormentada e os revesses do mundo palpável.

O Relógio, este tirano de ponteiros, não cessa a sua marcha.

Feliz Aniversário, Feliz Natal! Feliz Ano Novo! — Fórmulas ocas, repetidas ad infinitum.

Faltará muito para que chegue, enfim, a Sexta-feira? Faltará, Diletos, muito para que tudo se finde de uma vez?

Final de semana

 

A jornada se arrasta com a lentidão agonizante do ponteiro das horas. Tudo se revela numa repetição enfadonha, qual um roteiro teatral a quem foi subtraída a derradeira página.

A via pública, entregue a um silêncio desolador, jaz deserta. No recinto dos lares, cada alma se confronta com seu próprio tédio, seu próprio marasmo. É a narrativa que se obstina em repetir-se: o final de cada semana é aguardado numa expectativa infinita, apenas para ser consumido por esta monotonia sem fim.

O leito, este refúgio pernicioso, surge como um convite sedutor a que não se contemple o esvaecer do dia.