Eis que se finda mais um domingo.
A Roda, implacável, não cessa o seu movimento. Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira... Chegando, afinal, à Quinta-feira, Sexta-feira, e outra vez a Sexta-feira, qual alento breve.
Verão, Outono, Inverno. A sucessão das estações não nos concede trégua. Chuva, Sol, Frio, Calor. A natureza é a única a se permitir a mutabilidade.
Ano Novo, vida nova? É a vida, porventura, reduzida a laborar, dormir e laborar? Existimos apenas para descansar a fim de trabalhar, e trabalhar para merecer o descanso?
A fadiga é o único prêmio que nos é conferido ao findar de cada jornada. Despertamos para resolver os problemas que nos assaltam; dormimos apenas para reunir forças e enfrentar novas tribulações. Os problemas da mente atormentada e os revesses do mundo palpável.
O Relógio, este tirano de ponteiros, não cessa a sua marcha.
Feliz Aniversário, Feliz Natal! Feliz Ano Novo! — Fórmulas ocas, repetidas ad infinitum.
Faltará muito para que chegue, enfim, a Sexta-feira? Faltará, Diletos, muito para que tudo se finde de uma vez?