05/09/2019

Plaquinha com número



Quanto tempo permaneci diante desta tela branca!
No início, sentia a obrigação de escrever e acreditava estar realizando algo importante.
Com o passar dos dias, percebi que tudo não passava de desperdício: ninguém queria saber.

Há um registro no Blog Banal afirmando que eu escrevia por prazer.
Meia verdade.
Sim, havia certo deleite em organizar palavras soltas, mesmo com meus tradicionais erros de português — isso é fato. Mas, lá no íntimo, descobri que minha vaidade ansiava, de alguma forma, por reconhecimento, por um comentário que desse sentido às minhas banalidades.

Como fui ingênuo ao esperar esse tipo de atenção!
Tudo bem. Hoje, essas coisas já não têm importância.
Fui imaturo ao desejar um breve e superficial afago em meu ego.

Agora, mais vivido e com menos necessidades, não quero desperdiçar tempo com minha tosca vaidade.

Não busco reconhecimento, tampouco escrevo por autocomiseração.
Tenho outros interesses e, para evidenciar, percebo que já estamos em setembro e esta é apenas a terceira publicação do ano.

É melhor acostumar-me às eventuais dores da coluna e às inevitáveis despedidas, pois em breve serei apenas uma plaquinha com um número — e nada mais.

E isso será tudo. Ou talvez nada.


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