07/12/2018

Mudou o Natal ou mudei eu?


Quando eu era jovem, não perdia essa festa; quase todos aguardavam com ansiedade por esse momento.

Havia três anos que eu não comparecia e, neste ano, resolvi retornar, movido pela expectativa saudosa de reviver os velhos tempos. Ledo engano.

Identifiquei-me na portaria e, a cada degrau avançado, a música se tornava mais intensa.
Segui em direção ao buffet, farto de bolinho de bacalhau, queijos variados, salgados e cerveja gelada à vontade.

No palco, dançarinas e músicos animavam o ambiente. No piso, grupos se formavam conforme afinidades e interesses, enquanto eu não conseguia me encaixar em nenhuma tribo.

Distante e já arrependido de ter ido, permaneci isolado. Embora houvesse alguns conhecidos espalhados pelo salão, preferi ficar comigo mesmo: observando, degustando e bebendo minha cerveja no meu ritmo. Definitivamente, eu não estava bem, nem disposto a me aproximar das pessoas.

Após duas horas, acenei de longe para poucos rostos, levantei-me e fui embora à francesa.

Adaptando Machado de Assis, em certo soneto:
“Mudou a festa ou mudei eu?”


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