O celular desobediente despertou-me às 6h30. Que absurdo! Hoje é domingo e, por um lapso, esqueci de desprogramá-lo. Acordo cedo todos os dias, mas justamente hoje não queria ser lembrado pelo carrasco que me acompanha e dita o meu precioso e finito tempo. Tudo bem, acontece.
Com o passar dos anos, percebo que suportamos melhor a vida metódica, programada e cheia de normas. Não digo que a aceitamos — apenas que a suportamos.
Pensando bem, talvez eu exagere. No fundo, já me acostumei com o destino. Seria essa reconciliação o tal amor fati de que falava o filósofo do martelo?
A cama estava agradável, convidativa. Estiquei o braço e, com a ponta dos dedos, silenciei fulminantemente o meu tirano, com a satisfação de quem vence o inimigo.
Ah, se eu tivesse o poder de silenciar tudo aquilo que não quero com apenas um toque no gatilho da justiça!
Alex, Outono de 7/5/2017

