11/02/2017

Barra Mansa e o trem





Após ouvir a reclamação de um amigo de Barra Mansa sobre os trens que paralisam a cidade todos os dias, imediatamente um filme passou pela minha cabeça.

Barra Mansa, cidade querida, minha história, família e amigos.

É triste perceber que, na política local, as promessas apenas se revezam enquanto o tempo corre. Cresci vendo o trem parado, acidentes, gente perdendo a perna, carros arrastados. Vi maquetes grandiosas, vídeos de projetos para o pátio de manobras, candidatos dizendo “Mudar para ser feliz” ou “Por uma Barra Mansa bonita e melhor”. E o tempo foi passando.

Chega um momento em que só os mais jovens ainda acreditam, porque não conhecem a história e não se cansaram. O enredo é sempre o mesmo: surge o candidato novo com soluções para tudo, criticando o anterior. O povo acredita e elege. O novo começa dizendo que tudo está errado — e com razão. Forma sua turma de confiança, distribui cargos, pede paciência e esperança.

As obras não acontecem. O novo diz que não há recursos, pede mais apoio. O relógio não para. A culpa é do anterior. A próxima eleição se aproxima. Enquanto isso, pintam os arcos da ponte, o meio-fio, fazem operação tapa-buraco, prometem empregos na Flumisul, organizam carnaval e festinhas. Até a próxima eleição, pedindo mais quatro anos ou oferecendo outro candidato com as mesmas promessas.

Pessimista, eu? Não. Apenas já assisti esse filme muitas vezes e acabei decorando.
Desculpe contar o final.


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