Deitado numa maca fria, olho para o alto enquanto vários eletrodos se fixam ao meu peito.
Minutos antes, uma assistente — enfermeira ou sei lá o quê — não perguntou meu nome.
Barbeou meu tórax nu como quem maneja uma enxada.
Espirrou gel como se fosse catchup.
Levantou meu braço com rispidez, como se fosse o membro de um cadáver.
Seu rosto era grave, a voz mecânica me orientava subir à maca como um cão adestrado.
Definitivamente, delicadeza não era o forte daquela mulher.
E pensar que tudo isso foi pelo convênio médico.
A “autópsia” chegou ao fim.
Estou bem.

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