27/12/2017

Flores Negras


Caminho por becos escuros e pedras molhadas
Rochas lisas e paredes mofadas
Noite fria e silenciosa
Flores negras cravadas nas pedras 
Selva com flores mortas 
Muitos gritos abafados 

Gritos sem necessidade 
Gritos sem desculpas 
Gritos sem piedade
Gritos que machucam

Flores murchas pelo caminho
Flores negras sob a chuva
Flores sem perfume
Flores sem vida
Flores,flores,flores!

Gritos que matam
Gritos que enterram o prazer
Flores negras pisadas no escuro
Flores negras que adornam o túmulo
Silêncio absoluto! 
O grito não é mais ouvido
O grito não mais importa
Nunca mais desrespeitado
Gritos sem ecos
Flores negras sobre a pedra
Ah! como eu gostaria de me encontrar
Antes que eu desapareça.



Esses versos são de autoria de Alex Gil

17/12/2017

Tua força de vontade te salvou


Madrugada de sábado.
Disparo da cama sonolento em direção ao banheiro.
Estico a mão na torneira e aciono a alavanca que libera o jato de água.

Um pequeno inseto negro, semelhante a um besouro, sobe pela louça úmida da pia.
Minha mão, obedecendo a um impulso inexplicável, direciona o fluxo contra ele.
A operação é bem-sucedida. Não comemoro, tampouco me entristeço.
Lavo as mãos de forma automática, fecho a torneira e retorno à cama.

O relógio avança pela noite silenciosa.
De volta ao mesmo ritual, encontro novamente o inseto, insistente, tentando escalar a superfície lisa.
Mais uma vez, a corrente o empurra ao fundo da pia até desaparecer.
Adormeço pela segunda vez.

Ao amanhecer, sigo ao banheiro.
Lá está o inseto, agitando freneticamente as patas, sem sucesso.
Pela primeira vez reflito sobre aquele instante e, do alto de minha “onipotência”, determino:
— Este inseto merece viver.

A mesma mão que tentou eliminá-lo o transporta até um local seguro, à sombra do muro.
— Tua força de vontade te salvou. Mereces viver. Vá em paz.

Alex, 17/12/2017